por Ana Martins publicado na antologia “Contos de Verão”, Coolbooks, 2004
“Hoje sinto que vou embora” disse o dos malmequeres amarelos.
“Pois eu acho que tenho mais probabilidades” disse o dos corações vermelhos.
“Já eu” disse o do moinho de vento revoltado “penso que não tenho hipótese nenhuma desde que me dobraram… não sei que faça a este vinco!”
“Convenhamos meus amigos… desde que os do outro lado chegaram nenhum de nós tem segurança” reclamou o da enseada.
“Tens razão” disse o do burro “vamos por cá ficar tanto tempo que acabamos encarquilhados, empoeirados e esmaecidos do sol.”
Do outro lado do expositor o da praia sussurra ao da falésia: “É só inveja….” ao que o colega responde: “Nós temos o dever de ser tolerantes com os do outro lado… não temos é muito tempo para pensar nisso já que estamos sempre de saída!” Riem sarcásticos com satisfação.
O dos malmequeres amarelos agita-se: “Cliente, cliente!”
(…)
“Ó Lara, não entendo… compra outro!” insiste a amiga.
“Deixa, este é perfeito.” diz Lara acariciando o vinco bem marcado.
Nunca pensei que fizesse tantas cócegas nas costas… Será que demorará muito tempo…? Gostava tanto de conseguir ler o que está a escrever… Que nojo! Seria preciso encher-me de baba? Nunca ouviu falar de cola? Boa! Encostou-me ao espelho da cómoda, vou conseguir espreitar!
(…)
Conto integral aqui no blog da Ana Martins: Blog Para Que Te Quero
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Ana, adorei!
Antes de mais obrigada pela resposta “ainda-mais-rápida-do-que-o-meu-pensamento” ao desafio de mostrares um pouco mais da tua escrita.
E se bem que pedi, não estava à espera de um conto tão bom. Não que duvidasse da tua capacidade de escrita, mas porque me tocou particularmente, pois adoro moinhos e além disso tenho um longo historial com postais.
Em cinco anos de namoro à distância, recordo-me bem da sensação de “borboletas no estômago” quando chegava a casa e corria para a caixa do correio a ver se tinha letritas do T. Já no tempo de telemóveis e SMSs baratuxas, orgulho-me de ter (recebido e escrito) uma enorme colecção não só de postais (sim, colecções inteiras!) mas também de cartas.
E se “o dos moinhos” esteve dois anos perdido num marco dos correios, ainda hoje eu e o T esperamos que apareça o volume II do caderninho onde trocávamos mimos.
É lamechas. Mas era a nossa maneira de encurtarmos a distância física que nos separava. Foi o que nos uniu para que hoje, 8 anos depois, tenhamos uma linda vida: juntos.
Já tinha dito que adorei o conto?!?
Obrigada Ana por me teres dado a vontade de partilhar este bocadinho da minha vida
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